Fazer Rock, viver esse sonho, nada mais é do que estar em simbiose profunda com o turbilhão que existe dentro de você. Por simbiose, entenda carinho, intimidade e total permissão para usar toda música, todo sentimento, qualquer coisa que vier à mente quando estiver no palco. Combinar emoções e notas diferentes a cada execução e pôr pra fora qualquer idéia nova. Se todos no grupo fizerem isso, não existirá rotina nem mesmice.
sábado, 31 de julho de 2010
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Paz
Voltei. Não sei bem porquê, mas voltei.
A vida é assim mesmo, não dá pra explicá-la num samba curto. É pra sambar, simplesmente.
E amar. O barato da vida é amar. O resto é conversa fiada.
Passear por esse mundo sem amor no coração é um verdadeiro pé no saco. Corre o risco de ser estressar, jogar o amor fora e viver de qualquer jeito mesmo.
Às vezes a vida nos pede pra dar uns giros de 360º. Só pra espairecer.
Quem sabe aproveitar, conhece os mundos e vê melhor.
Quem não sabe, volta ao mesmo lugar. Ou nem volta.
Passeei. Agora voltei. Aonde tem amor e verdade, esse é o meu lugar, afinal.
Ao som do Coro dos Compositores da Portela.
A vida é assim mesmo, não dá pra explicá-la num samba curto. É pra sambar, simplesmente.
E amar. O barato da vida é amar. O resto é conversa fiada.
Passear por esse mundo sem amor no coração é um verdadeiro pé no saco. Corre o risco de ser estressar, jogar o amor fora e viver de qualquer jeito mesmo.
Às vezes a vida nos pede pra dar uns giros de 360º. Só pra espairecer.
Quem sabe aproveitar, conhece os mundos e vê melhor.
Quem não sabe, volta ao mesmo lugar. Ou nem volta.
Passeei. Agora voltei. Aonde tem amor e verdade, esse é o meu lugar, afinal.
Ao som do Coro dos Compositores da Portela.
domingo, 27 de junho de 2010
Amor
A dor nos une mais que qualquer coisa.
O carrasco em comum é o maior mobilizador de pessoas.
"Foda-se, vou largar essa família."
"Cadê o Neymar e o Ganso na porra da seleção?"
"Enfia esse diploma no meio do teu cu, adevogado de merda!"
"Eu sou um ex-contínuo. E você é um filho da puta. Seu filho da putaá!"
"Esses ex-namorados tem mais é que ir pra puta que o pariu!"
Aposto que muita tem muita gente simpatizando com outra só porque ouviu uma dessas frases nesse momento.
Isso é fácil. Quero ver se entrelaçar pelo carinho, pela simples vontade de fazer o bem.
Ser doce é resistir. Perdoar é revolucionar.
Amor é tema tão falado
Mas ninguem cumpriu nem seguiu a grande lei:
"Cada qual ama a si próprio"
Liberdade e igualdade aonde estão não sei.
Mora na filosofia.
Morou, Maria?
Só amor de mãe é amor. E ainda assim crucifica o filho.
Por uma boa causa, pelo menos.
O carrasco em comum é o maior mobilizador de pessoas.
"Foda-se, vou largar essa família."
"Cadê o Neymar e o Ganso na porra da seleção?"
"Enfia esse diploma no meio do teu cu, adevogado de merda!"
"Eu sou um ex-contínuo. E você é um filho da puta. Seu filho da putaá!"
"Esses ex-namorados tem mais é que ir pra puta que o pariu!"
Aposto que muita tem muita gente simpatizando com outra só porque ouviu uma dessas frases nesse momento.
Isso é fácil. Quero ver se entrelaçar pelo carinho, pela simples vontade de fazer o bem.
Ser doce é resistir. Perdoar é revolucionar.
Amor é tema tão falado
Mas ninguem cumpriu nem seguiu a grande lei:
"Cada qual ama a si próprio"
Liberdade e igualdade aonde estão não sei.
Mora na filosofia.
Morou, Maria?
Só amor de mãe é amor. E ainda assim crucifica o filho.
Por uma boa causa, pelo menos.
terça-feira, 15 de junho de 2010
Vida
O que sempre me foi apresentado como vida foi pela minha mainha: sempre estava num bar, rodeada de risos e choppes. O trabalho era cheio de gente gozadora, personalidades bonachonas sempre dispostas a delardear piadas. Gente que respeita a impompencidade dos bares e igualmente respeitava, com silencio solene, a hora de gravar. "GRAVANDO" e lá iam os peões a movimentar-se e capturar o rosto dos globais, os superiores. Gente bacana e equilibrada, os colegas da minha mãe. Viva o chopp.
Aprendi que peões são felizes. Irado.
Nunca vi globais como semi-deuses. Eles, na minha cabeça de criança, eram peões também. Era o mesmo cigarro, o mesmo riso, o mesmo trabalho, a mesma obediência. A diferença era meramente geográfica: uns estavam atrás e outros na frente da câmera. Mas quando cresci, aprendi que na frente da câmera ficavam bispos, damas e reis. Os peões, atrás. E aprendi que, por ficarem atrás, os peões não valiam muito. Joguetes do sistema industrializado. Alienados, não-participativos, gozadores, burros inferiores. Ser peão era ser ruim.
Então peões são tristes. Comem pão torrado na padaria e café ruim, amargo fel. Resto da sociedade.
Fui aprendendo que aquela vida bacana dos peões era mediana. Fruto de uma cultura medíocre. Aliás, tudo o que tinha aprendido até então como vida era fruto de uma cultura medíocre, alienada, robotizada, massificada. Os acusadores da cultura medíocre sentem a maior culpa quando se entregam a prazeres massiliados, álcool, comemoração em conjunto, torcida pelo mesmo ideal. Acham tudo falso, mediano. Confundem realismo com pessimismo e têm confiança prepotente nos seus próprios egos, pois pensam que isso é arte. Acham-se superiores por questionar a cutura way-of-life do momento e dela auto-exilarem-se e chafrundar. São egoístas por acharem que podem encontrar a felicidade numa auto-solidão olhadora do proprio umbigo: cachaça, maconha, modinha hi-tech.
Nunca liguei pro hipe, pros meus colegas. Eu convivia com adultos, amigos da minha mãe, seus chopps, cigarros, bares e conversas sacanas. Meus colegas da minha idade eram chatos pra caralho. Tanto que minha adolescência virou uma bagunça só quando comecei a andar com a minha turma.
Aprendi que peões são felizes. Irado.
Nunca vi globais como semi-deuses. Eles, na minha cabeça de criança, eram peões também. Era o mesmo cigarro, o mesmo riso, o mesmo trabalho, a mesma obediência. A diferença era meramente geográfica: uns estavam atrás e outros na frente da câmera. Mas quando cresci, aprendi que na frente da câmera ficavam bispos, damas e reis. Os peões, atrás. E aprendi que, por ficarem atrás, os peões não valiam muito. Joguetes do sistema industrializado. Alienados, não-participativos, gozadores, burros inferiores. Ser peão era ser ruim.
Então peões são tristes. Comem pão torrado na padaria e café ruim, amargo fel. Resto da sociedade.
Fui aprendendo que aquela vida bacana dos peões era mediana. Fruto de uma cultura medíocre. Aliás, tudo o que tinha aprendido até então como vida era fruto de uma cultura medíocre, alienada, robotizada, massificada. Os acusadores da cultura medíocre sentem a maior culpa quando se entregam a prazeres massiliados, álcool, comemoração em conjunto, torcida pelo mesmo ideal. Acham tudo falso, mediano. Confundem realismo com pessimismo e têm confiança prepotente nos seus próprios egos, pois pensam que isso é arte. Acham-se superiores por questionar a cutura way-of-life do momento e dela auto-exilarem-se e chafrundar. São egoístas por acharem que podem encontrar a felicidade numa auto-solidão olhadora do proprio umbigo: cachaça, maconha, modinha hi-tech.
Nunca liguei pro hipe, pros meus colegas. Eu convivia com adultos, amigos da minha mãe, seus chopps, cigarros, bares e conversas sacanas. Meus colegas da minha idade eram chatos pra caralho. Tanto que minha adolescência virou uma bagunça só quando comecei a andar com a minha turma.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Arte
Tô desconfiado que essa busca desenfreada e global pela "pura arte visceral e verdadeira" é escapismo. Escapismo dessa vida regrada, limitada, cheia das cartilhas. Todo mundo sabe que os comportamentos sociais são pura invenção do homem. É tudo pretexto pra calçar chumbo e não deixar botar os pés nas nuvens. Criança travessa faz "arte". Adulto artista é "maluco beleza".
O artista sonha pela sociedade. Gente comum se adequa a qualquer rótulo: atleta, pegador/garanhão, homem de negócios,pai chefe de família. Gente medíocre fica pelo meio do caminho: adevogado, gordo, alcoólatra, neurótico. Artista vai no que todo mundo anseia e não tem coragem de fazer. Catarse é um saca-rolha, puxando à força os anseios e sentimentos escondidos por todo mundo e fazendo o observador confrontar-se com o que, segundo dizem, não vale a pena ser confrontado.
É uma puta responsabilidade. Artista tem que ser, acima de tudo, um grande vaselina. Sua arte precisa servir de muleta pros outros mas ele nunca pode esquecer de si mesmo. É muita coisa a ser sublimada. É muito coração aflito pra conduzir. Artista sem culhão acaba virando adevogado, gordo, alcoólatra e/ou neurótico.
Contrapartida, artista com culhão e espírito aventureiro demais acaba no suicídio. A morte é a única liberdade legítima dessa vida. Alternativo à morte é o hedonismo. Isso porque não dá pra calçar chumbo nos pés e voar ao mesmo tempo, ou seja, não dá pra libertar o inconsiente e alcançar o divino humano sem se libertar das convenções sociais e - tomara eu estar errado - dessa vida terrena.
Acaba que a busca pela "pura arte" ou a puta que o pariu que o valha é fruto de todo um cuidado metódico e planejado para não deixar gente ruim mediar essa catarse tão necessária à vida. Ou então é só a contra-mola que resiste e puxa a reflexão pro caminho do meio, pra não deixar todo mundo se matar a esmo. Quem souber ir, vai pelo meio.
O artista sonha pela sociedade. Gente comum se adequa a qualquer rótulo: atleta, pegador/garanhão, homem de negócios,
É uma puta responsabilidade. Artista tem que ser, acima de tudo, um grande vaselina. Sua arte precisa servir de muleta pros outros mas ele nunca pode esquecer de si mesmo. É muita coisa a ser sublimada. É muito coração aflito pra conduzir. Artista sem culhão acaba virando adevogado, gordo, alcoólatra e/ou neurótico.
Contrapartida, artista com culhão e espírito aventureiro demais acaba no suicídio. A morte é a única liberdade legítima dessa vida. Alternativo à morte é o hedonismo. Isso porque não dá pra calçar chumbo nos pés e voar ao mesmo tempo, ou seja, não dá pra libertar o inconsiente e alcançar o divino humano sem se libertar das convenções sociais e - tomara eu estar errado - dessa vida terrena.
Acaba que a busca pela "pura arte" ou a puta que o pariu que o valha é fruto de todo um cuidado metódico e planejado para não deixar gente ruim mediar essa catarse tão necessária à vida. Ou então é só a contra-mola que resiste e puxa a reflexão pro caminho do meio, pra não deixar todo mundo se matar a esmo. Quem souber ir, vai pelo meio.
domingo, 16 de maio de 2010
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Mal Necessário
jornalista
Eu queria que você começasse definindo a si mesmo.
artista
Eu sou um sonhador. Acima de tudo, um sonhador. Todas as vezes que fui feliz na vida, foi quando eu me permiti sonhar, delirar, inventar as coisas. Sonhar com um mundo melhor, com um país melhor... Imaginar como vai ser quando tudo for diferente, quando eu tiver conseguido realizar meus sonhos. Me imagino dando entrevista, explicando, contando como tudo aconteceu. O sonho, ele te empolga. Você começa a acreditar naquilo, te dá uma coragem, uma força. Agora, toda vez que eu tentei me adequar à realidade, eu fui extremamente infeliz, sabe. Você começa a pensar nas dificuldades, em tudo que pode dar errado... é a sabedoria dos medíocres. A segurança, o bom senso. Você não pode ousar, tentar fazer diferente. Quando você depende do reconhecimento alheio é uma merda, porque você não pode simplesmente existir, a sociedade é que tem que dizer que você merece existir e ser feliz! E é nisso aí que os medíocres dominam, porque eles são a maioria. Então, isso aqui virou o Império da Mediocridade. Bom é ser igual! Bom é ser ruim! É por isso que rapidamente o sujeito tem que ser capaz de desenvolver um certo cinismo pra poder sobreviver. O cinismo é como uma vacina. Na vacina, a pessoa é infectada por um vírus inócuo pra desenvolver a imunidade contra o vírus de verdade. O cinismo é assim: você fica meio acanalhado pra poder não adoecer no contato com a canalhice. O sujeito chega aos 30 anos e já é um amargurado, pelo simples fato de ser brasileiro. Porque ele vive numa realidade que é antibiótica, massacrante.
jornalista
Mas você não acha que as coisas podem melhorar?
artista
Olha, as chances das coisas melhorarem são, no máximo, iguais às chances das coisas piorarem. O problema é que a gente vive numa merda tão grande que as pessoas precisam se agarrar a uma esperança, acreditar em alguma coisa, pra não se matar, ou pra não entrar em depressão profunda. A religião, por exemplo, é um antidepressivo igual a esses remédios que dão aí pros malucos, que o cara fica todo bobo: Jesus... Jesus... Acaba com o cérebro do sujeito. Passa a ter só vida funcional: acorda todo dia de manhã, pega o ônibus, vai pro trabalho... No trabalho ele só tem que fazer operações básicas, tá tudo nas cartilhas, nos manuais, ninguém precisa inventar nada, porque os gringos já pensam em tudo por nós, é só copiar o que eles fazem. É só traduzir mal traduzido os manuais que vêm de lá. É tudo assim. A novela, toda essa babaquice da TV, é tudo antidepressivo. É tudo droga, tudo tem efeito psíquico. Daí tem a dose de jornalismo que é pra dar aquele choque pra dose de novela que vem depois fazer mais efeito. E é aquele jornalismo de merda, né. O cara tá ali sério, compenetrado, querendo se informar pra saber das coisas e tá sendo feito de palhaço, de otário, sendo manipulado, imbecilizado do mesmo jeito. É o imbecil bem informado. Tudo é entorpecente. Marx dizia mais ou menos isso, só que ele nunca poderia imaginar que o próprio marxismo seria o ópio de muita gente também. Eu fumo só de sacanagem. Nego fica dizendo: quem fuma é isso, quem fuma é aquilo. Vá se fudê! É um fascismo do caralho, porra!
jornalista
Você não acha que esse teu discurso não leva ninguém a lugar nenhum?
artista
Que discurso?
jornalista
Isso que você tava falando antes.
artista
Acho. É verdade, acho sim.
filho
Pai! Você tá demorando muito pra gente ir pra piscina.
artista
Ô, filho! Já tô indo, tá? O papai tá trabalhando. Já tô indo. Vai lá com a mamãe que eu já vou. Esse aí eu botei na Lei de Incentivo à Cultura. É sério! Eu fiz um projeto de documentário pra acompanhar o crescimento dele e aprovei no ministério. É sério!
jornalista
E como é que todas essas questões que te tocam tanto, que te deixam assim tão exaltado, afetam o teu trabalho de artista?
artista
Agora eu tô passando por uma crise muito grande, sabe. Mas não é crise de criatividade. É crise temática. Eu não tenho nada pra dizer... Porra, eu sou homem, heterossexual, branco, tenho grana... Eu vou falar do quê? Eu penso muito nisso. De amor? Amor é o caralho! Daí, você vai dizer: mas você é brasileiro, já não basta? Eu sei, eu ando pelas ruas. Eu vejo TV, porra! Eu vejo uma criança na rua pedindo dinheiro, isso me comove, me revolta. Mas, daí, eu vou falar o quê? Isso tá errado, isso não pode, isso me deixa triste? Vou xingar o presidente, deus e o mundo? Tá entendendo? Eu vejo o sofrimento, mas eu, particularmente, não sofro. E eu acho uma pretensão muito grande falar em nome dos pobres, falar em nome dos outros. É aquela história dos intelectuais dos anos 60, né, Cinema Novo! Falar em nome do povo. Falar pro povo as coisas que ele tem que saber pra se libertar. É ridículo! Os pobres, os discriminados, os oprimidos sabem dizer sozinhos, sabem se expressar sozinhos, não precisam da arrogância de um cara branco e bem alimentado como eu. E digo mais: estão achando suas próprias soluções, independentemente do Estado, dessa imprensa calhorda e dos intelectuais. Então, pra quem é representante de uma classe falida, como eu, representante de um projeto falido, o que me resta é observar o povo. E olha aqui a contradição, ó. O intelectual brasileiro, os ricos deste país, dizem o povo, quando, na verdade, tão se referindo só aos pobres. Tá vendo? Eu mesmo acabei de cometer esse ato falho agora. Quer dizer, não existe um Povo Brasileiro do qual todos fazem parte. Povo são os pobres. Os ricos são outra coisa. Então, eu não vou falar de fome, porque eu não sei o que é fome. Falar em nome dos que têm fome? Eu considero um desrespeito, uma afronta, eu falar de fome pra quem tem fome, ou em nome dos que têm fome. Eu não vou falar de revolta com a polícia, porque a polícia não me pára, não me revista, não me bate. Quando um policial tem que falar comigo, ele me chama de doutor, entendeu? Então, eu tenho é que ficar na minha, e ver se acho alguma coisa boa pra dizer. Por enquanto, eu ainda não achei nada. E quem não tem nada pra dizer tem mais é que ficar calado. Quer um queijo? Não?
jornalista
Bom... Obrigada. Foi ótimo ter você aqui.
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