A dor nos une mais que qualquer coisa.
O carrasco em comum é o maior mobilizador de pessoas.
"Foda-se, vou largar essa família."
"Cadê o Neymar e o Ganso na porra da seleção?"
"Enfia esse diploma no meio do teu cu, adevogado de merda!"
"Eu sou um ex-contínuo. E você é um filho da puta. Seu filho da putaá!"
"Esses ex-namorados tem mais é que ir pra puta que o pariu!"
Aposto que muita tem muita gente simpatizando com outra só porque ouviu uma dessas frases nesse momento.
Isso é fácil. Quero ver se entrelaçar pelo carinho, pela simples vontade de fazer o bem.
Ser doce é resistir. Perdoar é revolucionar.
Amor é tema tão falado
Mas ninguem cumpriu nem seguiu a grande lei:
"Cada qual ama a si próprio"
Liberdade e igualdade aonde estão não sei.
Mora na filosofia.
Morou, Maria?
Só amor de mãe é amor. E ainda assim crucifica o filho.
Por uma boa causa, pelo menos.
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domingo, 27 de junho de 2010
domingo, 15 de novembro de 2009
Desabafo - Onde está meu Rock'n Roll?
Capital Inicial era uma banda boa. O Rappa não tocava junto com Mr. Catra. Cazuza ainda estava vivo. Cássia Eller ainda estava viva. O Rock in Rio ainda fazia sentido. Não havia politicamente correto. A vaidade não tinha subido completamente à cabeça, ainda se tinha amor à musica. Jazzistas e bluezeiros de formação tocavam uma nova música ensurdecedora. Ainda se tinha a viva nessecidade necessidade de criar, não importa o que acontecesse. Artistas eram artistas mesmo, não tinha essa coisa vazia de se fazer de atormentado.
No dia em que tudo isso deixou de existir, o rock morreu. Se não morreu, anda bem solitário, cheirando a mofo, ainda mais blue do que quando nasceu. E veja bem, não estou falando da solidãozinha dessas bandas modernétes, com meninës estilozinhos num palco azul escuro, se fazendo de vampirinhos neo-modernos. Isso não é rock. Rock é vigor, é essa coisa de ter o mundo nas mãos, só porque teu baixo tem graves poderosíssimos, e essas baquetas estão acordando os deuses, e essa guitarra é a liberdade em forma de trovão. Cadê isso nas bandas de hoje?
E não acredito, de verdade, que eu seja a única alma viva revoltada com os rumos da música e que ainda acredite na música, apesar dela estar meio podre. Não é possível todo mundo achar normal meninos brancos de classe média cantarem música "de ghetto, yo!", idolatrarem idiotas que tratam as mulheres como uns pedaços de carne num filme pornô barato ou terem que estar com muito álcool na cabeça pra poderem achar uma balada legal. Pois é, tem gente se "badala" num lugar onde esse tipo de música toca a noite inteira num volume alto pra cacete.
Não é mesmo possível que só eu tenha saudades das coisas que enumerei no primeiro parágrafo. Não pode ser possível que mais ninguém queira transformar nossa realidade musical. Não aceitarei me apegar ao passado assim à toa. Não aceitarei virar bolor. Pedra rolando não cria limo.
...
P.S.:Porra, eu tenho um sério problema com a palavra necessidade. Nunca acerto de primeira.
No dia em que tudo isso deixou de existir, o rock morreu. Se não morreu, anda bem solitário, cheirando a mofo, ainda mais blue do que quando nasceu. E veja bem, não estou falando da solidãozinha dessas bandas modernétes, com meninës estilozinhos num palco azul escuro, se fazendo de vampirinhos neo-modernos. Isso não é rock. Rock é vigor, é essa coisa de ter o mundo nas mãos, só porque teu baixo tem graves poderosíssimos, e essas baquetas estão acordando os deuses, e essa guitarra é a liberdade em forma de trovão. Cadê isso nas bandas de hoje?
E não acredito, de verdade, que eu seja a única alma viva revoltada com os rumos da música e que ainda acredite na música, apesar dela estar meio podre. Não é possível todo mundo achar normal meninos brancos de classe média cantarem música "de ghetto, yo!", idolatrarem idiotas que tratam as mulheres como uns pedaços de carne num filme pornô barato ou terem que estar com muito álcool na cabeça pra poderem achar uma balada legal. Pois é, tem gente se "badala" num lugar onde esse tipo de música toca a noite inteira num volume alto pra cacete.
Não é mesmo possível que só eu tenha saudades das coisas que enumerei no primeiro parágrafo. Não pode ser possível que mais ninguém queira transformar nossa realidade musical. Não aceitarei me apegar ao passado assim à toa. Não aceitarei virar bolor. Pedra rolando não cria limo.
...
P.S.:Porra, eu tenho um sério problema com a palavra necessidade. Nunca acerto de primeira.
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Enem, Três Fábulas Modernas
Acho desnecessário, mas em tempos de politicamente correto preciso lembrar: todos os nomes, personagens e situações desse post são fictícios e criados por este que vos escreve. Em caso do prezado leitor encontrar semelhanças palpáveis com a realidade, aconselho fortemente uma reavaliação de conduta e/ou de companhias.
Ou não. Lembre-se, esse texto é uma fábula, escrita por um devaneiador ocioso que ainda tem espinhas na cara e não tem a menor pretensão de salvar o mundo, conscientizar o povo ou coisa do tipo.
...
O pobre diabo revirava-se na cama do apartamento vazio. Pobre diabo é, na verdade, maneira de dizer. Um sujeito que à meia noite prepara um bule de café com certeza está procurando sarna pra se coçar. Alta madrugada, o infeliz já agitado de tanta cafeína se agita ainda mais na ânsia de querer dormir. Resolve levantar, dá um passeio pela casa, vai até a varanda, precisa tomar um ar fresco. Ar fresco, aliás, é um mimo trazido pela madrugada paulista - e ninguém mais.
Uma coisa leva a outra, a agitação o faz pensar um monte de besteiras. Começa a lembrar sua vida ordinária, de trás pra frente. Beco sem saída, divórcio, falência iminente, isolamento, pretensão, tumulto no casamento, exageros, vaidade, fraqueza, tudo isso depois que uma ex de adolescência tinha se suicidado. Ah, Laurinha, se você ainda estivesse aqui tudo seria mais fácil. Por que nosso romance desandou? Por que deixamos de lado aquele amor perfeito? Quando começou a pensar que tinha matado a pobre Laura de desgosto, afastou-a, se pôs a pensar em outra coisa. Não queria entrar em surto de novo. Tentou serenizar-se e chegou à conclusão de que só sendo criança de novo iria ser feliz.
- rrgnnnhhgg... Alô?
- Oi, é do açougue?
- rnnmmm... Não.
- Então por que eu estou falando com uma vaca?
Desligou e riu forçosamente. Forçou uns quarenta segundos até sentir que o trote do açougue perdeu completamente a graça que nunca teve. Precisaria aloprar mais para satisfazer sua criancice. Como moleque, resolveu tentar extrapolar seus limites só pra provar. Esqueceu conseqüências, mandou sua maturidade ao raio que o parta e foi brincar com coisa séria. Raivinha do mundo. Aproveitou que a mãe não estava olhando e discou. Dois tu-tu-tu depois, alguém atende com o ar ocupado que só os adultos têm e ele não queria ter.
- J.J. Blóide*, editor chefe, boa noite.
Que Deus conserve sempre a ignorância nas crianças e tire a criancice dos ignorantes...
...
O pobre diabo (esse sim, merece o título) estava emputecido - perdoem-me, mas não há outra palavra. Saiu pelas ruas esbravejando, amaldiçoando, xingando, tudo junto. Às vezes chegava até a dar socos no ar, tamanha era sua raiva. Dentre tantos atos secretos pra revogar, revogaram logo aquele que lhe dava o emprego. Não via sentido em pegá-lo para bode expiatório, tampouco via sentido quando a imprensa resolveu jogar merda no ventilador. Todo seu meticuloso plano de subir na vida fora por água abaixo. Pior, agora sentia um vazio dentro de si. Não podia mais entrar nos prédios do planalto central com aquele ar de falsa humildade, não podia mais influenciar ninguém, não podia mais pedir favor a ninguém. Ou podia?
- Alô, Oliveira. Lembra de mim?
- Padilha! Claro que sim! Estava até pensando em te ligar mesmo, rapaz. É sobre aquele lance que você me adiantou, lembra? Muito obrigado. Mesmo. Eu não poderia sem a sua ajuda. Você foi um grande rapaz, conhece as pessoas certas, hein. Quero te retribuir, mas nem sei como.
- Que isso, não há de que.
- Fiquei sabendo o que fizeram contigo. Achei uma puta injustiça isso. Logo você? Sacanagem. Mas não fique assim, logo aparece algo e você volta. Olha...
Nem quis ouvir, nem quis voltar. Estava muito furioso mesmo. Raiva, orgulho ferido, ingratidão, injustiça, falsidade, tudo o atingia e se misturava dentro dele. O próprio Oliveira estava sendo um porco falso naquele exato momento.
- Você gostou mesmo do que eu fiz, Oliveira?
- Ora, se gostei!
- Então acho que sei como você pode me retribuir. O meu filho sonha com a universidade, sabe...
Oliveira lhe repassou as provas do vestibular, na íntegra e na surdina. Afinal, achou o pedido do Padilha uma mixaria e nem se incomodou em retribuir com essa esmola. Na verdade, nem entendeu o pedido, poderia colocá-lo na sala de aula num estalo, pra que vestibular?
Três dias depois, entendeu. Soube que Padilha ligou para o maior jornal do país pedindo dinheiro ou então iria faltar ventilador pra tanta merda.
...
Barbixa era quase um mito. Simpático, inteligente, charmoso, querido por todos na faculdade, brilhante aluno, pegador invejável. Era presidente do grêmio estudantil há anos e por isso tinha certos privilégios, como a chave do diretório acadêmico, cortesias etílicas no barzinho do campus e uma certa "imunidade administrativa", cedidas a ele com grande prazer. Só tinha um único defeito, coitado, sua vaidade freqüentemente lhe subia à cabeça. Conta-se que, certa noite, quis impressionar algumas calourinhas e, para isso, organizou, com a ajuda de um colega, uma "festinha" particular para elas no diretório acadêmico durante a noite.
Lá pelas tantas, depois de muito álcool e alguma maconha, o ego de Barbixa estava à mil.
- ...e eu vou provar pra vocês como o Brasil, enquanto nação, não tem soberania nem sobre seu próprio sistema! São pretensiosos os que dizem que pensam com a cabeça. O calor tropical, resultado das irradiações cósmicas racionais, não pode ser controlado pelos seres terrestres! Eu vou começar a construir uma revolução aqui, agora. Basta ligar pros vermes da mídia controladora fazendo denúncias vazias de uma suposta fraude e ameaçando uma vaga extorsão. A classe média submissa vai se apavorar. De quebra, a burguesia vai atrasar seus planos de lavagem cerebral em massa.
Aí ligou prum jornal de grande circulação e lançou a revolução mais medíocre de todos os tempos. Não me atrevo a dizer que foi de todo infrutífera: a classe média se apavorou, a "burguesia" atrasou levemente seus planos e as calourinhas, impressionadíssimas e bêbadas, realizaram todos os desejos de Barbixa e seu colega naquela noite.
Que Deus perdoe todos aqueles que se impressionam por qualquer merda e todos aqueles que fazem qualquer merda para impressionar.
...
* Personagem de Arnaldo Branco.
Ou não. Lembre-se, esse texto é uma fábula, escrita por um devaneiador ocioso que ainda tem espinhas na cara e não tem a menor pretensão de salvar o mundo, conscientizar o povo ou coisa do tipo.
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O pobre diabo revirava-se na cama do apartamento vazio. Pobre diabo é, na verdade, maneira de dizer. Um sujeito que à meia noite prepara um bule de café com certeza está procurando sarna pra se coçar. Alta madrugada, o infeliz já agitado de tanta cafeína se agita ainda mais na ânsia de querer dormir. Resolve levantar, dá um passeio pela casa, vai até a varanda, precisa tomar um ar fresco. Ar fresco, aliás, é um mimo trazido pela madrugada paulista - e ninguém mais.
Uma coisa leva a outra, a agitação o faz pensar um monte de besteiras. Começa a lembrar sua vida ordinária, de trás pra frente. Beco sem saída, divórcio, falência iminente, isolamento, pretensão, tumulto no casamento, exageros, vaidade, fraqueza, tudo isso depois que uma ex de adolescência tinha se suicidado. Ah, Laurinha, se você ainda estivesse aqui tudo seria mais fácil. Por que nosso romance desandou? Por que deixamos de lado aquele amor perfeito? Quando começou a pensar que tinha matado a pobre Laura de desgosto, afastou-a, se pôs a pensar em outra coisa. Não queria entrar em surto de novo. Tentou serenizar-se e chegou à conclusão de que só sendo criança de novo iria ser feliz.
- rrgnnnhhgg... Alô?
- Oi, é do açougue?
- rnnmmm... Não.
- Então por que eu estou falando com uma vaca?
Desligou e riu forçosamente. Forçou uns quarenta segundos até sentir que o trote do açougue perdeu completamente a graça que nunca teve. Precisaria aloprar mais para satisfazer sua criancice. Como moleque, resolveu tentar extrapolar seus limites só pra provar. Esqueceu conseqüências, mandou sua maturidade ao raio que o parta e foi brincar com coisa séria. Raivinha do mundo. Aproveitou que a mãe não estava olhando e discou. Dois tu-tu-tu depois, alguém atende com o ar ocupado que só os adultos têm e ele não queria ter.
- J.J. Blóide*, editor chefe, boa noite.
Que Deus conserve sempre a ignorância nas crianças e tire a criancice dos ignorantes...
...
O pobre diabo (esse sim, merece o título) estava emputecido - perdoem-me, mas não há outra palavra. Saiu pelas ruas esbravejando, amaldiçoando, xingando, tudo junto. Às vezes chegava até a dar socos no ar, tamanha era sua raiva. Dentre tantos atos secretos pra revogar, revogaram logo aquele que lhe dava o emprego. Não via sentido em pegá-lo para bode expiatório, tampouco via sentido quando a imprensa resolveu jogar merda no ventilador. Todo seu meticuloso plano de subir na vida fora por água abaixo. Pior, agora sentia um vazio dentro de si. Não podia mais entrar nos prédios do planalto central com aquele ar de falsa humildade, não podia mais influenciar ninguém, não podia mais pedir favor a ninguém. Ou podia?
- Alô, Oliveira. Lembra de mim?
- Padilha! Claro que sim! Estava até pensando em te ligar mesmo, rapaz. É sobre aquele lance que você me adiantou, lembra? Muito obrigado. Mesmo. Eu não poderia sem a sua ajuda. Você foi um grande rapaz, conhece as pessoas certas, hein. Quero te retribuir, mas nem sei como.
- Que isso, não há de que.
- Fiquei sabendo o que fizeram contigo. Achei uma puta injustiça isso. Logo você? Sacanagem. Mas não fique assim, logo aparece algo e você volta. Olha...
Nem quis ouvir, nem quis voltar. Estava muito furioso mesmo. Raiva, orgulho ferido, ingratidão, injustiça, falsidade, tudo o atingia e se misturava dentro dele. O próprio Oliveira estava sendo um porco falso naquele exato momento.
- Você gostou mesmo do que eu fiz, Oliveira?
- Ora, se gostei!
- Então acho que sei como você pode me retribuir. O meu filho sonha com a universidade, sabe...
Oliveira lhe repassou as provas do vestibular, na íntegra e na surdina. Afinal, achou o pedido do Padilha uma mixaria e nem se incomodou em retribuir com essa esmola. Na verdade, nem entendeu o pedido, poderia colocá-lo na sala de aula num estalo, pra que vestibular?
Três dias depois, entendeu. Soube que Padilha ligou para o maior jornal do país pedindo dinheiro ou então iria faltar ventilador pra tanta merda.
...
Barbixa era quase um mito. Simpático, inteligente, charmoso, querido por todos na faculdade, brilhante aluno, pegador invejável. Era presidente do grêmio estudantil há anos e por isso tinha certos privilégios, como a chave do diretório acadêmico, cortesias etílicas no barzinho do campus e uma certa "imunidade administrativa", cedidas a ele com grande prazer. Só tinha um único defeito, coitado, sua vaidade freqüentemente lhe subia à cabeça. Conta-se que, certa noite, quis impressionar algumas calourinhas e, para isso, organizou, com a ajuda de um colega, uma "festinha" particular para elas no diretório acadêmico durante a noite.
Lá pelas tantas, depois de muito álcool e alguma maconha, o ego de Barbixa estava à mil.
- ...e eu vou provar pra vocês como o Brasil, enquanto nação, não tem soberania nem sobre seu próprio sistema! São pretensiosos os que dizem que pensam com a cabeça. O calor tropical, resultado das irradiações cósmicas racionais, não pode ser controlado pelos seres terrestres! Eu vou começar a construir uma revolução aqui, agora. Basta ligar pros vermes da mídia controladora fazendo denúncias vazias de uma suposta fraude e ameaçando uma vaga extorsão. A classe média submissa vai se apavorar. De quebra, a burguesia vai atrasar seus planos de lavagem cerebral em massa.
Aí ligou prum jornal de grande circulação e lançou a revolução mais medíocre de todos os tempos. Não me atrevo a dizer que foi de todo infrutífera: a classe média se apavorou, a "burguesia" atrasou levemente seus planos e as calourinhas, impressionadíssimas e bêbadas, realizaram todos os desejos de Barbixa e seu colega naquela noite.
Que Deus perdoe todos aqueles que se impressionam por qualquer merda e todos aqueles que fazem qualquer merda para impressionar.
...
* Personagem de Arnaldo Branco.
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
A Monstra
Chegou em casa dando graças à Deus, que dia! Deu beijo, boa noite e preparou um whisky para relaxar desse mundo. Esse mundo tenso, esse mundo falso, onde todos mentem, corrompem e enganam. Onde vale a lei do mais forte, quer dizer, do mais canalha, e nisso ele tinha ficado bom. Nunca foi seu sonho ter essa frieza, não foi criado assim, só dançava conforme a música para poder vencer, portanto nunca compartilhou suas ardilosidades com a família, eles são puros demais pra entender esse mundo. Queria dar um alto padrão material de vida a si mesmo, à sua mulher e aos seus filhos. Em suma, suas intenções eram boas, só os caminhos tortuosos. O sistema é que era podre, ele só estava se adequando. A culpa é dos outros, não dele.
Quando mergulhava o gelo na bebida, foi surpreendido pela mulher.
- Você é um psicopata!
Não podia esboçar reação, estava petrificado! A monstra, sorrateira, perfurou seu peito com aquela frase. A monstra tinha o topete de reclamar de meus métodos, que lhe davam uma vida de rainha! Que caráter - sempre admirado, agora temido. É só uma fase, em breve serei vereador, expandirei meu império, fortalecerei meus capangas, aprimorarei meus esquemas e então viverei com minha família na santa paz que merecemos! Nem ligo pros bárbaros que estiverem em meu caminho, vermes!, quero o bem estar dos meus!
Mas lógico que não falaria isso. Tinha de manter a pose de bom moço que um dia já foi para a esposa. Tratou de dourar a pílula.
- Psicopata não. Sou um político em treinamento.
Quando mergulhava o gelo na bebida, foi surpreendido pela mulher.
- Você é um psicopata!
Não podia esboçar reação, estava petrificado! A monstra, sorrateira, perfurou seu peito com aquela frase. A monstra tinha o topete de reclamar de meus métodos, que lhe davam uma vida de rainha! Que caráter - sempre admirado, agora temido. É só uma fase, em breve serei vereador, expandirei meu império, fortalecerei meus capangas, aprimorarei meus esquemas e então viverei com minha família na santa paz que merecemos! Nem ligo pros bárbaros que estiverem em meu caminho, vermes!, quero o bem estar dos meus!
Mas lógico que não falaria isso. Tinha de manter a pose de bom moço que um dia já foi para a esposa. Tratou de dourar a pílula.
- Psicopata não. Sou um político em treinamento.
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
O Monsto
Certo dia, ela tira os óculos, leva as mãos ao rosto e o esfrega, como quem quisesse reunir forças para subir as escadarias da igreja da Penha. Quase titubeou nas palavras, mas estava diante de um mentiroso frio e calculista, um manipulador inescrupuloso e ambicioso. Como aquele homem mentia tanto com tanta naturalidade? Não viveria mais um segundo em tenebrosa companhia.
- Você é um psicopata!
O homem recebeu a notícia e era todo silêncio, sua boca, seus olhos, seu rosto, nada demonstrava abalo. Refletiu uns poucos segundos e respondeu, com toda a calma do mundo.
- Psicopata não. Sou um político em treinamento.
- Você é um psicopata!
O homem recebeu a notícia e era todo silêncio, sua boca, seus olhos, seu rosto, nada demonstrava abalo. Refletiu uns poucos segundos e respondeu, com toda a calma do mundo.
- Psicopata não. Sou um político em treinamento.
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Ciranda em Vermelho
Ou Brincando de Gonzaguinha
Eu já tenho observado
Uma coisa muito triste
Esse povo é tão calado
Quando vê um dedo em riste
As pessoas já não falam
Ninguém entra em discussão
Já não sabem pr'onde andam
E só olham para o chão
Eu já tenho observado
Esse povo muito triste
Sendo sempre torturado
Pela luta que persiste
Uma luta que não acaba
Não vai nunca ter um fim
Só acaba essa diaba
Quando não disserem "sim"
E eu tenho observado
Com bastante indagação
Como pode ser guardado
Tão forte grito de NÃO
Dentro de tanto coração?
Tão linda rebelião
Dentro de tanto coração?
Tão sã indignação
Dentro de tanto coração?
Pedro Prata - 05 de julho de 2009
Eu já tenho observado
Uma coisa muito triste
Esse povo é tão calado
Quando vê um dedo em riste
As pessoas já não falam
Ninguém entra em discussão
Já não sabem pr'onde andam
E só olham para o chão
Eu já tenho observado
Esse povo muito triste
Sendo sempre torturado
Pela luta que persiste
Uma luta que não acaba
Não vai nunca ter um fim
Só acaba essa diaba
Quando não disserem "sim"
E eu tenho observado
Com bastante indagação
Como pode ser guardado
Tão forte grito de NÃO
Dentro de tanto coração?
Tão linda rebelião
Dentro de tanto coração?
Tão sã indignação
Dentro de tanto coração?
Pedro Prata - 05 de julho de 2009
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