Sabe quando você acorda no meio da noite suando frio, tremendo, se sentindo numa encruzilhada, e passa o dia acompanhado pelos seus demônios? Se isso lhe aconteceu, você foi pego pelo Blues.
Sabe quando você acorda agressivo, querendo tacar fogo em tudo, fazer todas suas angústias explodirem, soltar os demônios? Se isso lhe aconteceu, você foi pego pelo Rock'n Roll.
Sabe quando você está alegremente leve, sem preocupações na cabeça e um sorriso enorme e muito natural no rosto? Se isso lhe aconteceu, você foi pego pelo Samba.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
The House of the Rising Sun
Eu só sei que estou de férias quando meu relógio biológico descaceta de vez. Começo acordando às três da tarde, hora de almoço para todos, menos eu, claro. Mas o mundo não vai deixar de almoçar às três da tarde só porque um pobre coitado dormiu na hora do café-da-manhã. Por isso, acordo comendo arroz, feijão e bacalhau com pimenta e azeite, não vivo sem. O resto do dia não tem mais nenhuma refeição formal, é só um bando de comida que vou botando pra dentro em intervalos irregulares e intercalando umas cervejas.
Sendo assim, as madrugadas são insones e a barriga fica indecentemente mais redondinha.
...
O dia está clareando e eu ainda nem dormi. É o meu relógio biológico dando sinais de extrema insanidade. E é esse descontrole que faz a ficha cair: estou de férias! Fé-é-rias! Meus horários podem ter a maior bagunça do mundo, mas e daí? É recesso! Café-da-manhã às três da tarde, almoço à meia noite, janta às nove da manhã, uma beleza. Mas quando me dei conta de que eu havia acompanhado três sóis nascentes seguidos fiquei meio preocupado. À despeito da lua, ainda tão bela e branca à espera de algum admirador retardatário, resolvi dividir minha angústia.
- Tô preocupado, meu relógio biológico tá todo sem noção. Dois minutos pras seis e ainda não dormi.
- PQP nem eu!
- Ah, quer saber? A gente que é cool, baby. Olha o espetáculo, e já é o terceiro sol nascente seguido que vejo. E a lua cheia se pondo no céu avermelhado? Que maravilha!
- To com as cortinas fechadas para me convencer que ainda é noite.
- ...
E lá continuei eu, no terraço de casa, cercado de casas por todos os lados, curtindo essa calma que só as manhãs tem. Sabe, eu tinha me esquecido de como as manhãs são tão gostosas. Me fez lembrar da época na qual acordava bem cedo pra pegar o ônibus das 6:05 e ir para o colégio. Nem um minuto a mais, impressionante a diferença: o ônibus das 6:10 pega um puta trânsito na via "expressa" e demora meia hora a mais em relação ao das 6:05. Antes do sol as manhãs são mais gostosas mesmo, esse finzinho de sereno, uns pássaros cantando, outros voando, o céu indeciso em ser claro ou escuro, azul ou vermelho, essa lua se esvaindo aos pouquinhos. Fading seria a expressão mais certa; esvair lembra definhar, desaparecer é termo muito cru. Talvez "virar fumaça" servisse, mas ela não vira nada, a lua continua lá. Indo embora, mas ali ainda, pálida sombra, como um véu ficando cada vez mais fino.
Procurando a expressão mais certa, meus olhos se perdem. Vão encontrar um avião tão longe, mas tão alto que nem dá pra vê-lo. Só sei que é um avião porque deixa uma cauda de nuvem por onde passa, alguma condensação proveniente da combustão propulsora, só os físicos sabem direito, vivem disso afinal. E eu passei a viver da existência daquele voador solitário, tão longe qual nenhum radar nem nenhuma torre de controle alcançaria. Que faria aquele piloto sabendo que está no espaço aéreo não de um país, mas de um rapaz insone? Digo a ele pelo rádio para não se espantar, esse é meu emprego, ser um fiscal dissidente e solitário, e fico esperando o telefonema do ministro da aviação. Ele ligará para saber se está tudo em ordem, se o vôo está sendo tranquilo para seus passageiros, se o avião risca o firmamento com carinho. Prontamente responderei com pompa de guardião dos ares o que consta no boletim: "a aeronave e sua cauda cruzam os céus com a serenidade de uma vaca na Índia. Se localizam às onze horas e rumam para leste. No mais, tudo em ordem, o céu está uma uva". O ministro agradecerá com grandiloquencia "louvado seja por esse serviço de indispensável importância à nação. Não saberia dizer o que seria dos céus sem um distinto cavalheiro de exacerbada responsabilidade e envolvimento com as causas celestes!" ao que responderei "é apenas o meu trabalho".
Ao fim desse devaneio matutino, voltei a mim graças ao astro rei esquentando minha cara. A lua já desaparecera completamente, assim como o dito avião e toda sua longa cauda, e o sereno já todo enxugado pelo sol. A madrugada passou, assim como o amanhecer passou, e o dia começa.
E lá continuei eu, no terraço de casa, cercado de sol por todos os lados, só curtindo essa calma.
02/01/2010
Sendo assim, as madrugadas são insones e a barriga fica indecentemente mais redondinha.
...
O dia está clareando e eu ainda nem dormi. É o meu relógio biológico dando sinais de extrema insanidade. E é esse descontrole que faz a ficha cair: estou de férias! Fé-é-rias! Meus horários podem ter a maior bagunça do mundo, mas e daí? É recesso! Café-da-manhã às três da tarde, almoço à meia noite, janta às nove da manhã, uma beleza. Mas quando me dei conta de que eu havia acompanhado três sóis nascentes seguidos fiquei meio preocupado. À despeito da lua, ainda tão bela e branca à espera de algum admirador retardatário, resolvi dividir minha angústia.
- Tô preocupado, meu relógio biológico tá todo sem noção. Dois minutos pras seis e ainda não dormi.
- PQP nem eu!
- Ah, quer saber? A gente que é cool, baby. Olha o espetáculo, e já é o terceiro sol nascente seguido que vejo. E a lua cheia se pondo no céu avermelhado? Que maravilha!
- To com as cortinas fechadas para me convencer que ainda é noite.
- ...
E lá continuei eu, no terraço de casa, cercado de casas por todos os lados, curtindo essa calma que só as manhãs tem. Sabe, eu tinha me esquecido de como as manhãs são tão gostosas. Me fez lembrar da época na qual acordava bem cedo pra pegar o ônibus das 6:05 e ir para o colégio. Nem um minuto a mais, impressionante a diferença: o ônibus das 6:10 pega um puta trânsito na via "expressa" e demora meia hora a mais em relação ao das 6:05. Antes do sol as manhãs são mais gostosas mesmo, esse finzinho de sereno, uns pássaros cantando, outros voando, o céu indeciso em ser claro ou escuro, azul ou vermelho, essa lua se esvaindo aos pouquinhos. Fading seria a expressão mais certa; esvair lembra definhar, desaparecer é termo muito cru. Talvez "virar fumaça" servisse, mas ela não vira nada, a lua continua lá. Indo embora, mas ali ainda, pálida sombra, como um véu ficando cada vez mais fino.
Procurando a expressão mais certa, meus olhos se perdem. Vão encontrar um avião tão longe, mas tão alto que nem dá pra vê-lo. Só sei que é um avião porque deixa uma cauda de nuvem por onde passa, alguma condensação proveniente da combustão propulsora, só os físicos sabem direito, vivem disso afinal. E eu passei a viver da existência daquele voador solitário, tão longe qual nenhum radar nem nenhuma torre de controle alcançaria. Que faria aquele piloto sabendo que está no espaço aéreo não de um país, mas de um rapaz insone? Digo a ele pelo rádio para não se espantar, esse é meu emprego, ser um fiscal dissidente e solitário, e fico esperando o telefonema do ministro da aviação. Ele ligará para saber se está tudo em ordem, se o vôo está sendo tranquilo para seus passageiros, se o avião risca o firmamento com carinho. Prontamente responderei com pompa de guardião dos ares o que consta no boletim: "a aeronave e sua cauda cruzam os céus com a serenidade de uma vaca na Índia. Se localizam às onze horas e rumam para leste. No mais, tudo em ordem, o céu está uma uva". O ministro agradecerá com grandiloquencia "louvado seja por esse serviço de indispensável importância à nação. Não saberia dizer o que seria dos céus sem um distinto cavalheiro de exacerbada responsabilidade e envolvimento com as causas celestes!" ao que responderei "é apenas o meu trabalho".
Ao fim desse devaneio matutino, voltei a mim graças ao astro rei esquentando minha cara. A lua já desaparecera completamente, assim como o dito avião e toda sua longa cauda, e o sereno já todo enxugado pelo sol. A madrugada passou, assim como o amanhecer passou, e o dia começa.
E lá continuei eu, no terraço de casa, cercado de sol por todos os lados, só curtindo essa calma.
02/01/2010
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Cuide Bem do Seu Amor
Apesar de jovem, já possuía uma larga experiência em fumo passivo. Além disso, sua infância fora marcada por seis pneumonias, incontáveis bronquites e uma imensa alergia. Graças à sua família e sua vontade de viver, entrou na pré-adolescência há muito curado e sobrevivente, pulmão novinho em folha. Até certo dia, havia fumado onze cigarros inteiros em duas semanas, sem contar umas festas, frequentadas por dois anos, sempre com narguilé aceso aos convidados. Portanto, não era por falta de hábito ou resistência física que o décimo segundo cigarro de sua vida atribulada foi apagado, ainda pela metade, no fundo de um bueiro sob a acusação de sufocar o fumante novato. Tinha algo mais naquela madrugada triste.
Sujeito forte como costumava ser, nunca havia imaginado tornar-se esse tipo de pessoa, para ele, o mais detestável: aquele que tem boa parte de sua satisfação provinda da cerveja, da cachaça e, ultimamente também, do tabaco. O ser humano não nasceu para ser paliativamente feliz. Mas o que se há de fazer quando a felicidade é uma velha conhecida agora distante, uma amiga que partiu por ter sido maltratada? O que se há de fazer quando a própria verdade é desconsiderada em prol de pertencer ao bem estar e alegria geral da nação?
Como voltar no tempo não lhe pareceu uma opção possível, resolveu escolher a outra. Pôs-se a vagar por aí, pálida sombra do passado, de cachaça em cachaça, de beijo e beijo, de música em música, à eterna procura de uma nova versão do velho sentimento. Até hoje está em ronda, homem notívago, endurecido, de poucas palavras, realizando a busca menos com o coração que com os olhos. Olhos de ressaca. Olhos vivos, críticos. Cegos. Gato escaldado tem medo até de comercial de refrigerante.
Sujeito forte como costumava ser, nunca havia imaginado tornar-se esse tipo de pessoa, para ele, o mais detestável: aquele que tem boa parte de sua satisfação provinda da cerveja, da cachaça e, ultimamente também, do tabaco. O ser humano não nasceu para ser paliativamente feliz. Mas o que se há de fazer quando a felicidade é uma velha conhecida agora distante, uma amiga que partiu por ter sido maltratada? O que se há de fazer quando a própria verdade é desconsiderada em prol de pertencer ao bem estar e alegria geral da nação?
Como voltar no tempo não lhe pareceu uma opção possível, resolveu escolher a outra. Pôs-se a vagar por aí, pálida sombra do passado, de cachaça em cachaça, de beijo e beijo, de música em música, à eterna procura de uma nova versão do velho sentimento. Até hoje está em ronda, homem notívago, endurecido, de poucas palavras, realizando a busca menos com o coração que com os olhos. Olhos de ressaca. Olhos vivos, críticos. Cegos. Gato escaldado tem medo até de comercial de refrigerante.
sábado, 23 de janeiro de 2010
Brasil Mestiço
Se eu tivesse que escolher a música brasileira mais bonita da história, escolheria essa aí.
Brasileira em todas os sentidos, foi composta por Aldir Blanc e João Bosco e imortalizada na voz adorável de Clara Nunes. O arranjo também é sensacional, muito bem sacado, só não consigo descobrir quem fez.
E tem um artigo bem bacana aqui.
Brasileira em todas os sentidos, foi composta por Aldir Blanc e João Bosco e imortalizada na voz adorável de Clara Nunes. O arranjo também é sensacional, muito bem sacado, só não consigo descobrir quem fez.
E tem um artigo bem bacana aqui.
sábado, 16 de janeiro de 2010
Branda Liberdade
O ano era 2008, a época era o carnaval, estávamos eu e meu companheiro Motorola. Embora comigo havia apenas seis meses, o pequeno conquistara meu coração à primeira vista. Tosco, simples e - o melhor - o mais barato da loja, eu via nele tudo que sempre sonhei num celular: um telefone bronco. Sua pele monocolor de aço siderúrgico deixava claro que o pequeno ogro estava ali com o único intuito de fazer ligações. Com orgulho Graham Bell apreciaria minha compra. Quem não apreciaria ter o privilégio de ouvir a voz dos amigos queridos à qualquer hora, em qualquer alguns lugares pela bagatela de 89 reais?
Aparentemente, alguém naquele carnaval não curtiu. Do alto da varanda da Fundição Progresso, uma mangueira de incêndio foi ligada e apontada para os foliões que acompanhavam um bloco passando por ali. "VAMUREFRESCÁUCALÔMINHAGENTI!", dizia o bombeiro. Pois o celular enfureceu-se com o banho inesperado e pôs-se a vibrar loucamente. Mesmo tirando do vibracall, o danado não parava de tremer. Cheguei a desligar, e mesmo assim ele insistia no seu "Bzzzzzz", àquela altura já irritante. E desesperador. Estragar aparelhos eletrônicos dá um certo pânico. É como machucar um encarcerado e esperar a indignação dos companheiros se transformar num motim. Fiquei com medo do liquidificador por um bom tempo, até tratei de tirá-lo de perto da geladeira, só por precaução.
Pois então, na própria segunda-feira de cinzas, fui na loja e comprei outro igual. O preço subira um bocado (desembolsei 99 reais desta vez), mas a macheza do modelo foi mantida. Durante quase dois anos, o pequeno negro ogro resistiu bravamente a diversas quedas, chuvas, marretadas, incêndios e permaneceu fiel comigo mesmo após alguns assaltos. Bendito seja o inventor do celular com flip, idealisador de uma tecnologia que permite ser pendurada em barras de cuecas, longe da vista de meliantes.
Por causa de todo esse envolvimento e companheirismo, fico triste ao anunciar que esse último bastião da tecnologia casca-grossa sucumbiu na madrugada de ontem. É, Ele morreu. Vibrou incessantemente até cair da mesa e espatifar-se, fazendo a tela se soltar do resto do aparelho e definitivamente partir desta para melhor. É um daqueles fatalismos tristes, um em um milhão, que só acontecem em horas inusitadas. Ozzy Osbourne bebeu mais vodka do que toda a população da Rússia junta, mais drogas que cinco Woodstocks juntos, mas nunca correu risco de morte até cair de quadriciclo. Chato, né?

Por detrás dessa aparência brucutu há um bom coração.
Mas logo me alegro, quando penso que terei uma nova vida pela frente. Não terei a mínima pressa em comprar outro novo, quero curtir novamente a sensação de estar sem celular. Depois conto para vocês como é. Beijosmeliga. Ou não.
Aparentemente, alguém naquele carnaval não curtiu. Do alto da varanda da Fundição Progresso, uma mangueira de incêndio foi ligada e apontada para os foliões que acompanhavam um bloco passando por ali. "VAMUREFRESCÁUCALÔMINHAGENTI!", dizia o bombeiro. Pois o celular enfureceu-se com o banho inesperado e pôs-se a vibrar loucamente. Mesmo tirando do vibracall, o danado não parava de tremer. Cheguei a desligar, e mesmo assim ele insistia no seu "Bzzzzzz", àquela altura já irritante. E desesperador. Estragar aparelhos eletrônicos dá um certo pânico. É como machucar um encarcerado e esperar a indignação dos companheiros se transformar num motim. Fiquei com medo do liquidificador por um bom tempo, até tratei de tirá-lo de perto da geladeira, só por precaução.
Pois então, na própria segunda-feira de cinzas, fui na loja e comprei outro igual. O preço subira um bocado (desembolsei 99 reais desta vez), mas a macheza do modelo foi mantida. Durante quase dois anos, o pequeno negro ogro resistiu bravamente a diversas quedas, chuvas, marretadas, incêndios e permaneceu fiel comigo mesmo após alguns assaltos. Bendito seja o inventor do celular com flip, idealisador de uma tecnologia que permite ser pendurada em barras de cuecas, longe da vista de meliantes.
Por causa de todo esse envolvimento e companheirismo, fico triste ao anunciar que esse último bastião da tecnologia casca-grossa sucumbiu na madrugada de ontem. É, Ele morreu. Vibrou incessantemente até cair da mesa e espatifar-se, fazendo a tela se soltar do resto do aparelho e definitivamente partir desta para melhor. É um daqueles fatalismos tristes, um em um milhão, que só acontecem em horas inusitadas. Ozzy Osbourne bebeu mais vodka do que toda a população da Rússia junta, mais drogas que cinco Woodstocks juntos, mas nunca correu risco de morte até cair de quadriciclo. Chato, né?

Por detrás dessa aparência brucutu há um bom coração.
Mas logo me alegro, quando penso que terei uma nova vida pela frente. Não terei a mínima pressa em comprar outro novo, quero curtir novamente a sensação de estar sem celular. Depois conto para vocês como é. Beijosmeliga. Ou não.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
domingo, 15 de novembro de 2009
Desabafo - Onde está meu Rock'n Roll?
Capital Inicial era uma banda boa. O Rappa não tocava junto com Mr. Catra. Cazuza ainda estava vivo. Cássia Eller ainda estava viva. O Rock in Rio ainda fazia sentido. Não havia politicamente correto. A vaidade não tinha subido completamente à cabeça, ainda se tinha amor à musica. Jazzistas e bluezeiros de formação tocavam uma nova música ensurdecedora. Ainda se tinha a viva nessecidade necessidade de criar, não importa o que acontecesse. Artistas eram artistas mesmo, não tinha essa coisa vazia de se fazer de atormentado.
No dia em que tudo isso deixou de existir, o rock morreu. Se não morreu, anda bem solitário, cheirando a mofo, ainda mais blue do que quando nasceu. E veja bem, não estou falando da solidãozinha dessas bandas modernétes, com meninës estilozinhos num palco azul escuro, se fazendo de vampirinhos neo-modernos. Isso não é rock. Rock é vigor, é essa coisa de ter o mundo nas mãos, só porque teu baixo tem graves poderosíssimos, e essas baquetas estão acordando os deuses, e essa guitarra é a liberdade em forma de trovão. Cadê isso nas bandas de hoje?
E não acredito, de verdade, que eu seja a única alma viva revoltada com os rumos da música e que ainda acredite na música, apesar dela estar meio podre. Não é possível todo mundo achar normal meninos brancos de classe média cantarem música "de ghetto, yo!", idolatrarem idiotas que tratam as mulheres como uns pedaços de carne num filme pornô barato ou terem que estar com muito álcool na cabeça pra poderem achar uma balada legal. Pois é, tem gente se "badala" num lugar onde esse tipo de música toca a noite inteira num volume alto pra cacete.
Não é mesmo possível que só eu tenha saudades das coisas que enumerei no primeiro parágrafo. Não pode ser possível que mais ninguém queira transformar nossa realidade musical. Não aceitarei me apegar ao passado assim à toa. Não aceitarei virar bolor. Pedra rolando não cria limo.
...
P.S.:Porra, eu tenho um sério problema com a palavra necessidade. Nunca acerto de primeira.
No dia em que tudo isso deixou de existir, o rock morreu. Se não morreu, anda bem solitário, cheirando a mofo, ainda mais blue do que quando nasceu. E veja bem, não estou falando da solidãozinha dessas bandas modernétes, com meninës estilozinhos num palco azul escuro, se fazendo de vampirinhos neo-modernos. Isso não é rock. Rock é vigor, é essa coisa de ter o mundo nas mãos, só porque teu baixo tem graves poderosíssimos, e essas baquetas estão acordando os deuses, e essa guitarra é a liberdade em forma de trovão. Cadê isso nas bandas de hoje?
E não acredito, de verdade, que eu seja a única alma viva revoltada com os rumos da música e que ainda acredite na música, apesar dela estar meio podre. Não é possível todo mundo achar normal meninos brancos de classe média cantarem música "de ghetto, yo!", idolatrarem idiotas que tratam as mulheres como uns pedaços de carne num filme pornô barato ou terem que estar com muito álcool na cabeça pra poderem achar uma balada legal. Pois é, tem gente se "badala" num lugar onde esse tipo de música toca a noite inteira num volume alto pra cacete.
Não é mesmo possível que só eu tenha saudades das coisas que enumerei no primeiro parágrafo. Não pode ser possível que mais ninguém queira transformar nossa realidade musical. Não aceitarei me apegar ao passado assim à toa. Não aceitarei virar bolor. Pedra rolando não cria limo.
...
P.S.:Porra, eu tenho um sério problema com a palavra necessidade. Nunca acerto de primeira.
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