domingo, 19 de setembro de 2010

Ensaio

Fecha esse botão, menino!, fica esses pêlos aparecendo aí! Olha pra mim! Silêncio! Aguarde a sua vez! Canta mais baixo! Olha pra mim! Não atrasa! O Fá é sustenido! Canta mais baixo, tá aparecendo mais que todo mundo! Olha, você não pode cantar assim. Pára de conversar! Olha pra mim! Concentra! Do começo! Esse acorde não tá afinado! Senta direito! Troca de lugar com o Fulano. Bota um sorriso no rosto! Canta mais baixo! Pára de se mexer! Olha pra mim! Vamos passar até o compasso 19 e depois ir pro intervalo. Esse ritmo tá errado! Respira junto comigo! Anota essa respiração na partitura. Guarda esse violão! Olha pra mim! Canta mais baixo! Bota a voz no tubo do órgão! Canta mais baixo! Olha pra mim! A afinação é essa. Vamos lá, comigo! Segue a minha regência! Não respira! Pronuncia direito!

Eu canto no coral mas não tenho voz.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Everyday blue

Todo dia é dia de ficar triste. Acordar sem esperança é o ideal. Aliás, paradoxalmente, aqui não deve haver ideais. O que vier tá bom. Não esperar muito, não vai sair nada daí mesmo. Metade do dia deve ser destinada ao Deus morto, à verdade pulverizada no éter, ao utilitarismo.

A outra metade é a busca da euforia ligeira. É o mundo se acabando de vez no fim da noite na leveza com a qual nos perdemos no sono, na profunda alegria de estar sem vazio algum no peito.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Quarta Lei de Newton

Existem três tipos de problema nesse mundo com os quais nunca devemos nos preocupar,

- Os que a gente inventa,
- Os que não são da nossa conta, e
- Os que ainda não aconteceram

Aqui vai uma foto do Jorge Benjor só pra ilustrar esse clima de calma e leveza.


"Paz e arroz, bicho!"

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Soneto Ruim

Poisé, veja só onde fomos parar
Só em soneto ruim consigo digerir
O que nos faz a Deus perdão pedir
E resignados num abraço confortar

Esse existencialismo, triste norte
Adotamos pra sufocar nossos ideais
Sem futuro, tanto fez como tanto faz
Deixando a descrença ser mais forte

Bem feito, era inevitável a desgraça
Engolimos a seco aqui entre paredes
Mas lá fora a gente sorri e disfarça

Só pra afastar os que sentem pena
Malditos, são chatos pra caralho
Prefiro sorrir a atrair os idiotas

sábado, 7 de agosto de 2010

Dois perdidos numa noite normal

então, gatinha, vamos fazer algo niilista hoje? e lá foram, pé na tábua, quase perdem os membros inferiores pra uma jibóia, mas tudo bem. Loucura de verdade é não viver esse sonho kerouaquiano. Com os parcos últimos pagamentos na cidade grande, compraram grande estoque de vinho de galão e cachaça de dez reais. Erva ruim também, até compraram cachimbo. Porque o que faz mal é o papel, né, cê sabe. Iriam percorrer a linha vermelha, ganhar a dutra e seguir até Deus-não-sabe. Tudo em nome do sonho de liberdade, loucura e alegria eufórica que era dos seus pais. No carro dele, um Opala herdado e nunca trocado, tentaram deixar essa vida cinza. Nada na bagagem a não ser a roupa do corpo e muita loucura em potencial. Ah, tinha um violão também, junto com uns três ou quatro acordes - não usariam muitos - e uma gaita diatônica fora do tom - mas nem ligavam. Tinha uma resistência elétrica - ignoro porquê - e alguma soma desprezível mas necessária de papel moeda. E lá foram eles.

Acontece que tinha uma blitz da Lei Seca ali na Leopoldina. E eles se fuderam porque decidiram impulsivamente fazer essa viagem no terceiro chopp após o sensacional cabrito à moda do Nova Capela.

sábado, 31 de julho de 2010

Over the Rainbow

Fazer Rock, viver esse sonho, nada mais é do que estar em simbiose profunda com o turbilhão que existe dentro de você. Por simbiose, entenda carinho, intimidade e total permissão para usar toda música, todo sentimento, qualquer coisa que vier à mente quando estiver no palco. Combinar emoções e notas diferentes a cada execução e pôr pra fora qualquer idéia nova. Se todos no grupo fizerem isso, não existirá rotina nem mesmice.


Ritchie Blackmore, o maior roqueiro que já pisou nesse mundo. Não existe "nota fora" nem "limite" no dicionário dele.