quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Everyday blue

Todo dia é dia de ficar triste. Acordar sem esperança é o ideal. Aliás, paradoxalmente, aqui não deve haver ideais. O que vier tá bom. Não esperar muito, não vai sair nada daí mesmo. Metade do dia deve ser destinada ao Deus morto, à verdade pulverizada no éter, ao utilitarismo.

A outra metade é a busca da euforia ligeira. É o mundo se acabando de vez no fim da noite na leveza com a qual nos perdemos no sono, na profunda alegria de estar sem vazio algum no peito.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Quarta Lei de Newton

Existem três tipos de problema nesse mundo com os quais nunca devemos nos preocupar,

- Os que a gente inventa,
- Os que não são da nossa conta, e
- Os que ainda não aconteceram

Aqui vai uma foto do Jorge Benjor só pra ilustrar esse clima de calma e leveza.


"Paz e arroz, bicho!"

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Soneto Ruim

Poisé, veja só onde fomos parar
Só em soneto ruim consigo digerir
O que nos faz a Deus perdão pedir
E resignados num abraço confortar

Esse existencialismo, triste norte
Adotamos pra sufocar nossos ideais
Sem futuro, tanto fez como tanto faz
Deixando a descrença ser mais forte

Bem feito, era inevitável a desgraça
Engolimos a seco aqui entre paredes
Mas lá fora a gente sorri e disfarça

Só pra afastar os que sentem pena
Malditos, são chatos pra caralho
Prefiro sorrir a atrair os idiotas

sábado, 7 de agosto de 2010

Dois perdidos numa noite normal

então, gatinha, vamos fazer algo niilista hoje? e lá foram, pé na tábua, quase perdem os membros inferiores pra uma jibóia, mas tudo bem. Loucura de verdade é não viver esse sonho kerouaquiano. Com os parcos últimos pagamentos na cidade grande, compraram grande estoque de vinho de galão e cachaça de dez reais. Erva ruim também, até compraram cachimbo. Porque o que faz mal é o papel, né, cê sabe. Iriam percorrer a linha vermelha, ganhar a dutra e seguir até Deus-não-sabe. Tudo em nome do sonho de liberdade, loucura e alegria eufórica que era dos seus pais. No carro dele, um Opala herdado e nunca trocado, tentaram deixar essa vida cinza. Nada na bagagem a não ser a roupa do corpo e muita loucura em potencial. Ah, tinha um violão também, junto com uns três ou quatro acordes - não usariam muitos - e uma gaita diatônica fora do tom - mas nem ligavam. Tinha uma resistência elétrica - ignoro porquê - e alguma soma desprezível mas necessária de papel moeda. E lá foram eles.

Acontece que tinha uma blitz da Lei Seca ali na Leopoldina. E eles se fuderam porque decidiram impulsivamente fazer essa viagem no terceiro chopp após o sensacional cabrito à moda do Nova Capela.

sábado, 31 de julho de 2010

Over the Rainbow

Fazer Rock, viver esse sonho, nada mais é do que estar em simbiose profunda com o turbilhão que existe dentro de você. Por simbiose, entenda carinho, intimidade e total permissão para usar toda música, todo sentimento, qualquer coisa que vier à mente quando estiver no palco. Combinar emoções e notas diferentes a cada execução e pôr pra fora qualquer idéia nova. Se todos no grupo fizerem isso, não existirá rotina nem mesmice.


Ritchie Blackmore, o maior roqueiro que já pisou nesse mundo. Não existe "nota fora" nem "limite" no dicionário dele.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Paz

Voltei. Não sei bem porquê, mas voltei.
A vida é assim mesmo, não dá pra explicá-la num samba curto. É pra sambar, simplesmente.
E amar. O barato da vida é amar. O resto é conversa fiada.
Passear por esse mundo sem amor no coração é um verdadeiro pé no saco. Corre o risco de ser estressar, jogar o amor fora e viver de qualquer jeito mesmo.

Às vezes a vida nos pede pra dar uns giros de 360º. Só pra espairecer.
Quem sabe aproveitar, conhece os mundos e vê melhor.
Quem não sabe, volta ao mesmo lugar. Ou nem volta.

Passeei. Agora voltei. Aonde tem amor e verdade, esse é o meu lugar, afinal.

Ao som do Coro dos Compositores da Portela.