Depois de muito aprender, percebi
Eu não sei o que todos sabem
E o que eu sei ninguém sabe
Afinal, tudo que aprendi até aqui
É como ser eu, humano.
Travessia.
domingo, 11 de outubro de 2009
sábado, 10 de outubro de 2009
Vivendo com Uriah Heep
- Não é necessário ser um virtuose em seu instrumento. Se você souber fazer canções lindas e marcantes com simplicidade, faça-o.
- Por mais lindas e marcantes que sejam suas criações, sempre há o risco de estar à sombra de um virtuose.
- A imprensa é traiçoeira e pode atrasar sua vida um bocado. Não importa se o público te ama demais, se a imprensa não vai com a tua cara, você terá direito a apenas um parágrafo curto na bíblia do Rock.
- Apesar de haver gente contra, continue a trabalhar. O tempo corrigirá injustiças se você não desistir de trabalhar com competência.
- Dê tudo de si no palco, mas divirta-se.

- Por mais jovem que seja, você pode morrer a qualquer momento - eletrocutado aos 27, como Gary Thain, ou do coração aos 38, como David Byron.
- Ao lidar com as pessoas que ama, jogue sempre com todas as cartas na mesa. Assim como você, elas podem morrer a qualquer momento. E aí, campeão, como vais lidar com as coisas que nunca foram ditas?
- Nunca se esqueça de descansar, por mais divertido que seu trabalho seja.
- Se você não tem sua saúde plena, você não tem nada.
- Nunca perca contato com as pessoas com as quais você tem uma química quase divina. Elas sempre tornarão seu trabalho divertido.
- Ninguém é facilmente substituível.
- Nunca se esqueça que a juventude acaba, mas a vida continua. Amadureça, reinvente-se e deixe bem claro (para si mesmo, inclusive!) que os anos 70 não voltam.
- Rock'n Roll rejuvenece.
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Enem, Três Fábulas Modernas
Acho desnecessário, mas em tempos de politicamente correto preciso lembrar: todos os nomes, personagens e situações desse post são fictícios e criados por este que vos escreve. Em caso do prezado leitor encontrar semelhanças palpáveis com a realidade, aconselho fortemente uma reavaliação de conduta e/ou de companhias.
Ou não. Lembre-se, esse texto é uma fábula, escrita por um devaneiador ocioso que ainda tem espinhas na cara e não tem a menor pretensão de salvar o mundo, conscientizar o povo ou coisa do tipo.
...
O pobre diabo revirava-se na cama do apartamento vazio. Pobre diabo é, na verdade, maneira de dizer. Um sujeito que à meia noite prepara um bule de café com certeza está procurando sarna pra se coçar. Alta madrugada, o infeliz já agitado de tanta cafeína se agita ainda mais na ânsia de querer dormir. Resolve levantar, dá um passeio pela casa, vai até a varanda, precisa tomar um ar fresco. Ar fresco, aliás, é um mimo trazido pela madrugada paulista - e ninguém mais.
Uma coisa leva a outra, a agitação o faz pensar um monte de besteiras. Começa a lembrar sua vida ordinária, de trás pra frente. Beco sem saída, divórcio, falência iminente, isolamento, pretensão, tumulto no casamento, exageros, vaidade, fraqueza, tudo isso depois que uma ex de adolescência tinha se suicidado. Ah, Laurinha, se você ainda estivesse aqui tudo seria mais fácil. Por que nosso romance desandou? Por que deixamos de lado aquele amor perfeito? Quando começou a pensar que tinha matado a pobre Laura de desgosto, afastou-a, se pôs a pensar em outra coisa. Não queria entrar em surto de novo. Tentou serenizar-se e chegou à conclusão de que só sendo criança de novo iria ser feliz.
- rrgnnnhhgg... Alô?
- Oi, é do açougue?
- rnnmmm... Não.
- Então por que eu estou falando com uma vaca?
Desligou e riu forçosamente. Forçou uns quarenta segundos até sentir que o trote do açougue perdeu completamente a graça que nunca teve. Precisaria aloprar mais para satisfazer sua criancice. Como moleque, resolveu tentar extrapolar seus limites só pra provar. Esqueceu conseqüências, mandou sua maturidade ao raio que o parta e foi brincar com coisa séria. Raivinha do mundo. Aproveitou que a mãe não estava olhando e discou. Dois tu-tu-tu depois, alguém atende com o ar ocupado que só os adultos têm e ele não queria ter.
- J.J. Blóide*, editor chefe, boa noite.
Que Deus conserve sempre a ignorância nas crianças e tire a criancice dos ignorantes...
...
O pobre diabo (esse sim, merece o título) estava emputecido - perdoem-me, mas não há outra palavra. Saiu pelas ruas esbravejando, amaldiçoando, xingando, tudo junto. Às vezes chegava até a dar socos no ar, tamanha era sua raiva. Dentre tantos atos secretos pra revogar, revogaram logo aquele que lhe dava o emprego. Não via sentido em pegá-lo para bode expiatório, tampouco via sentido quando a imprensa resolveu jogar merda no ventilador. Todo seu meticuloso plano de subir na vida fora por água abaixo. Pior, agora sentia um vazio dentro de si. Não podia mais entrar nos prédios do planalto central com aquele ar de falsa humildade, não podia mais influenciar ninguém, não podia mais pedir favor a ninguém. Ou podia?
- Alô, Oliveira. Lembra de mim?
- Padilha! Claro que sim! Estava até pensando em te ligar mesmo, rapaz. É sobre aquele lance que você me adiantou, lembra? Muito obrigado. Mesmo. Eu não poderia sem a sua ajuda. Você foi um grande rapaz, conhece as pessoas certas, hein. Quero te retribuir, mas nem sei como.
- Que isso, não há de que.
- Fiquei sabendo o que fizeram contigo. Achei uma puta injustiça isso. Logo você? Sacanagem. Mas não fique assim, logo aparece algo e você volta. Olha...
Nem quis ouvir, nem quis voltar. Estava muito furioso mesmo. Raiva, orgulho ferido, ingratidão, injustiça, falsidade, tudo o atingia e se misturava dentro dele. O próprio Oliveira estava sendo um porco falso naquele exato momento.
- Você gostou mesmo do que eu fiz, Oliveira?
- Ora, se gostei!
- Então acho que sei como você pode me retribuir. O meu filho sonha com a universidade, sabe...
Oliveira lhe repassou as provas do vestibular, na íntegra e na surdina. Afinal, achou o pedido do Padilha uma mixaria e nem se incomodou em retribuir com essa esmola. Na verdade, nem entendeu o pedido, poderia colocá-lo na sala de aula num estalo, pra que vestibular?
Três dias depois, entendeu. Soube que Padilha ligou para o maior jornal do país pedindo dinheiro ou então iria faltar ventilador pra tanta merda.
...
Barbixa era quase um mito. Simpático, inteligente, charmoso, querido por todos na faculdade, brilhante aluno, pegador invejável. Era presidente do grêmio estudantil há anos e por isso tinha certos privilégios, como a chave do diretório acadêmico, cortesias etílicas no barzinho do campus e uma certa "imunidade administrativa", cedidas a ele com grande prazer. Só tinha um único defeito, coitado, sua vaidade freqüentemente lhe subia à cabeça. Conta-se que, certa noite, quis impressionar algumas calourinhas e, para isso, organizou, com a ajuda de um colega, uma "festinha" particular para elas no diretório acadêmico durante a noite.
Lá pelas tantas, depois de muito álcool e alguma maconha, o ego de Barbixa estava à mil.
- ...e eu vou provar pra vocês como o Brasil, enquanto nação, não tem soberania nem sobre seu próprio sistema! São pretensiosos os que dizem que pensam com a cabeça. O calor tropical, resultado das irradiações cósmicas racionais, não pode ser controlado pelos seres terrestres! Eu vou começar a construir uma revolução aqui, agora. Basta ligar pros vermes da mídia controladora fazendo denúncias vazias de uma suposta fraude e ameaçando uma vaga extorsão. A classe média submissa vai se apavorar. De quebra, a burguesia vai atrasar seus planos de lavagem cerebral em massa.
Aí ligou prum jornal de grande circulação e lançou a revolução mais medíocre de todos os tempos. Não me atrevo a dizer que foi de todo infrutífera: a classe média se apavorou, a "burguesia" atrasou levemente seus planos e as calourinhas, impressionadíssimas e bêbadas, realizaram todos os desejos de Barbixa e seu colega naquela noite.
Que Deus perdoe todos aqueles que se impressionam por qualquer merda e todos aqueles que fazem qualquer merda para impressionar.
...
* Personagem de Arnaldo Branco.
Ou não. Lembre-se, esse texto é uma fábula, escrita por um devaneiador ocioso que ainda tem espinhas na cara e não tem a menor pretensão de salvar o mundo, conscientizar o povo ou coisa do tipo.
...
O pobre diabo revirava-se na cama do apartamento vazio. Pobre diabo é, na verdade, maneira de dizer. Um sujeito que à meia noite prepara um bule de café com certeza está procurando sarna pra se coçar. Alta madrugada, o infeliz já agitado de tanta cafeína se agita ainda mais na ânsia de querer dormir. Resolve levantar, dá um passeio pela casa, vai até a varanda, precisa tomar um ar fresco. Ar fresco, aliás, é um mimo trazido pela madrugada paulista - e ninguém mais.
Uma coisa leva a outra, a agitação o faz pensar um monte de besteiras. Começa a lembrar sua vida ordinária, de trás pra frente. Beco sem saída, divórcio, falência iminente, isolamento, pretensão, tumulto no casamento, exageros, vaidade, fraqueza, tudo isso depois que uma ex de adolescência tinha se suicidado. Ah, Laurinha, se você ainda estivesse aqui tudo seria mais fácil. Por que nosso romance desandou? Por que deixamos de lado aquele amor perfeito? Quando começou a pensar que tinha matado a pobre Laura de desgosto, afastou-a, se pôs a pensar em outra coisa. Não queria entrar em surto de novo. Tentou serenizar-se e chegou à conclusão de que só sendo criança de novo iria ser feliz.
- rrgnnnhhgg... Alô?
- Oi, é do açougue?
- rnnmmm... Não.
- Então por que eu estou falando com uma vaca?
Desligou e riu forçosamente. Forçou uns quarenta segundos até sentir que o trote do açougue perdeu completamente a graça que nunca teve. Precisaria aloprar mais para satisfazer sua criancice. Como moleque, resolveu tentar extrapolar seus limites só pra provar. Esqueceu conseqüências, mandou sua maturidade ao raio que o parta e foi brincar com coisa séria. Raivinha do mundo. Aproveitou que a mãe não estava olhando e discou. Dois tu-tu-tu depois, alguém atende com o ar ocupado que só os adultos têm e ele não queria ter.
- J.J. Blóide*, editor chefe, boa noite.
Que Deus conserve sempre a ignorância nas crianças e tire a criancice dos ignorantes...
...
O pobre diabo (esse sim, merece o título) estava emputecido - perdoem-me, mas não há outra palavra. Saiu pelas ruas esbravejando, amaldiçoando, xingando, tudo junto. Às vezes chegava até a dar socos no ar, tamanha era sua raiva. Dentre tantos atos secretos pra revogar, revogaram logo aquele que lhe dava o emprego. Não via sentido em pegá-lo para bode expiatório, tampouco via sentido quando a imprensa resolveu jogar merda no ventilador. Todo seu meticuloso plano de subir na vida fora por água abaixo. Pior, agora sentia um vazio dentro de si. Não podia mais entrar nos prédios do planalto central com aquele ar de falsa humildade, não podia mais influenciar ninguém, não podia mais pedir favor a ninguém. Ou podia?
- Alô, Oliveira. Lembra de mim?
- Padilha! Claro que sim! Estava até pensando em te ligar mesmo, rapaz. É sobre aquele lance que você me adiantou, lembra? Muito obrigado. Mesmo. Eu não poderia sem a sua ajuda. Você foi um grande rapaz, conhece as pessoas certas, hein. Quero te retribuir, mas nem sei como.
- Que isso, não há de que.
- Fiquei sabendo o que fizeram contigo. Achei uma puta injustiça isso. Logo você? Sacanagem. Mas não fique assim, logo aparece algo e você volta. Olha...
Nem quis ouvir, nem quis voltar. Estava muito furioso mesmo. Raiva, orgulho ferido, ingratidão, injustiça, falsidade, tudo o atingia e se misturava dentro dele. O próprio Oliveira estava sendo um porco falso naquele exato momento.
- Você gostou mesmo do que eu fiz, Oliveira?
- Ora, se gostei!
- Então acho que sei como você pode me retribuir. O meu filho sonha com a universidade, sabe...
Oliveira lhe repassou as provas do vestibular, na íntegra e na surdina. Afinal, achou o pedido do Padilha uma mixaria e nem se incomodou em retribuir com essa esmola. Na verdade, nem entendeu o pedido, poderia colocá-lo na sala de aula num estalo, pra que vestibular?
Três dias depois, entendeu. Soube que Padilha ligou para o maior jornal do país pedindo dinheiro ou então iria faltar ventilador pra tanta merda.
...
Barbixa era quase um mito. Simpático, inteligente, charmoso, querido por todos na faculdade, brilhante aluno, pegador invejável. Era presidente do grêmio estudantil há anos e por isso tinha certos privilégios, como a chave do diretório acadêmico, cortesias etílicas no barzinho do campus e uma certa "imunidade administrativa", cedidas a ele com grande prazer. Só tinha um único defeito, coitado, sua vaidade freqüentemente lhe subia à cabeça. Conta-se que, certa noite, quis impressionar algumas calourinhas e, para isso, organizou, com a ajuda de um colega, uma "festinha" particular para elas no diretório acadêmico durante a noite.
Lá pelas tantas, depois de muito álcool e alguma maconha, o ego de Barbixa estava à mil.
- ...e eu vou provar pra vocês como o Brasil, enquanto nação, não tem soberania nem sobre seu próprio sistema! São pretensiosos os que dizem que pensam com a cabeça. O calor tropical, resultado das irradiações cósmicas racionais, não pode ser controlado pelos seres terrestres! Eu vou começar a construir uma revolução aqui, agora. Basta ligar pros vermes da mídia controladora fazendo denúncias vazias de uma suposta fraude e ameaçando uma vaga extorsão. A classe média submissa vai se apavorar. De quebra, a burguesia vai atrasar seus planos de lavagem cerebral em massa.
Aí ligou prum jornal de grande circulação e lançou a revolução mais medíocre de todos os tempos. Não me atrevo a dizer que foi de todo infrutífera: a classe média se apavorou, a "burguesia" atrasou levemente seus planos e as calourinhas, impressionadíssimas e bêbadas, realizaram todos os desejos de Barbixa e seu colega naquela noite.
Que Deus perdoe todos aqueles que se impressionam por qualquer merda e todos aqueles que fazem qualquer merda para impressionar.
...
* Personagem de Arnaldo Branco.
domingo, 27 de setembro de 2009
Revivendo emoções
Hoje acordei com vontade de gritar É TEEEEETRAAAAA!!! de novo. Só Deus sabe porquê.
Coisas da geração "Vai que é tua, Taffarel!!". Até chorei de alegria.
Coisas da geração "Vai que é tua, Taffarel!!". Até chorei de alegria.
domingo, 6 de setembro de 2009
Sorriso de Vidro
Sonhou que era uma criança, com dentes transparentes e tudo. Ao acordar, não sabia dizer se era um homem que sonhara ser uma criança ou uma criança que agora sonhava ser um homem.
Parafraseei.
Parafraseei.
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
A Monstra
Chegou em casa dando graças à Deus, que dia! Deu beijo, boa noite e preparou um whisky para relaxar desse mundo. Esse mundo tenso, esse mundo falso, onde todos mentem, corrompem e enganam. Onde vale a lei do mais forte, quer dizer, do mais canalha, e nisso ele tinha ficado bom. Nunca foi seu sonho ter essa frieza, não foi criado assim, só dançava conforme a música para poder vencer, portanto nunca compartilhou suas ardilosidades com a família, eles são puros demais pra entender esse mundo. Queria dar um alto padrão material de vida a si mesmo, à sua mulher e aos seus filhos. Em suma, suas intenções eram boas, só os caminhos tortuosos. O sistema é que era podre, ele só estava se adequando. A culpa é dos outros, não dele.
Quando mergulhava o gelo na bebida, foi surpreendido pela mulher.
- Você é um psicopata!
Não podia esboçar reação, estava petrificado! A monstra, sorrateira, perfurou seu peito com aquela frase. A monstra tinha o topete de reclamar de meus métodos, que lhe davam uma vida de rainha! Que caráter - sempre admirado, agora temido. É só uma fase, em breve serei vereador, expandirei meu império, fortalecerei meus capangas, aprimorarei meus esquemas e então viverei com minha família na santa paz que merecemos! Nem ligo pros bárbaros que estiverem em meu caminho, vermes!, quero o bem estar dos meus!
Mas lógico que não falaria isso. Tinha de manter a pose de bom moço que um dia já foi para a esposa. Tratou de dourar a pílula.
- Psicopata não. Sou um político em treinamento.
Quando mergulhava o gelo na bebida, foi surpreendido pela mulher.
- Você é um psicopata!
Não podia esboçar reação, estava petrificado! A monstra, sorrateira, perfurou seu peito com aquela frase. A monstra tinha o topete de reclamar de meus métodos, que lhe davam uma vida de rainha! Que caráter - sempre admirado, agora temido. É só uma fase, em breve serei vereador, expandirei meu império, fortalecerei meus capangas, aprimorarei meus esquemas e então viverei com minha família na santa paz que merecemos! Nem ligo pros bárbaros que estiverem em meu caminho, vermes!, quero o bem estar dos meus!
Mas lógico que não falaria isso. Tinha de manter a pose de bom moço que um dia já foi para a esposa. Tratou de dourar a pílula.
- Psicopata não. Sou um político em treinamento.
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
O Monsto
Certo dia, ela tira os óculos, leva as mãos ao rosto e o esfrega, como quem quisesse reunir forças para subir as escadarias da igreja da Penha. Quase titubeou nas palavras, mas estava diante de um mentiroso frio e calculista, um manipulador inescrupuloso e ambicioso. Como aquele homem mentia tanto com tanta naturalidade? Não viveria mais um segundo em tenebrosa companhia.
- Você é um psicopata!
O homem recebeu a notícia e era todo silêncio, sua boca, seus olhos, seu rosto, nada demonstrava abalo. Refletiu uns poucos segundos e respondeu, com toda a calma do mundo.
- Psicopata não. Sou um político em treinamento.
- Você é um psicopata!
O homem recebeu a notícia e era todo silêncio, sua boca, seus olhos, seu rosto, nada demonstrava abalo. Refletiu uns poucos segundos e respondeu, com toda a calma do mundo.
- Psicopata não. Sou um político em treinamento.
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