Sonhou que era uma criança, com dentes transparentes e tudo. Ao acordar, não sabia dizer se era um homem que sonhara ser uma criança ou uma criança que agora sonhava ser um homem.
Parafraseei.
domingo, 6 de setembro de 2009
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
A Monstra
Chegou em casa dando graças à Deus, que dia! Deu beijo, boa noite e preparou um whisky para relaxar desse mundo. Esse mundo tenso, esse mundo falso, onde todos mentem, corrompem e enganam. Onde vale a lei do mais forte, quer dizer, do mais canalha, e nisso ele tinha ficado bom. Nunca foi seu sonho ter essa frieza, não foi criado assim, só dançava conforme a música para poder vencer, portanto nunca compartilhou suas ardilosidades com a família, eles são puros demais pra entender esse mundo. Queria dar um alto padrão material de vida a si mesmo, à sua mulher e aos seus filhos. Em suma, suas intenções eram boas, só os caminhos tortuosos. O sistema é que era podre, ele só estava se adequando. A culpa é dos outros, não dele.
Quando mergulhava o gelo na bebida, foi surpreendido pela mulher.
- Você é um psicopata!
Não podia esboçar reação, estava petrificado! A monstra, sorrateira, perfurou seu peito com aquela frase. A monstra tinha o topete de reclamar de meus métodos, que lhe davam uma vida de rainha! Que caráter - sempre admirado, agora temido. É só uma fase, em breve serei vereador, expandirei meu império, fortalecerei meus capangas, aprimorarei meus esquemas e então viverei com minha família na santa paz que merecemos! Nem ligo pros bárbaros que estiverem em meu caminho, vermes!, quero o bem estar dos meus!
Mas lógico que não falaria isso. Tinha de manter a pose de bom moço que um dia já foi para a esposa. Tratou de dourar a pílula.
- Psicopata não. Sou um político em treinamento.
Quando mergulhava o gelo na bebida, foi surpreendido pela mulher.
- Você é um psicopata!
Não podia esboçar reação, estava petrificado! A monstra, sorrateira, perfurou seu peito com aquela frase. A monstra tinha o topete de reclamar de meus métodos, que lhe davam uma vida de rainha! Que caráter - sempre admirado, agora temido. É só uma fase, em breve serei vereador, expandirei meu império, fortalecerei meus capangas, aprimorarei meus esquemas e então viverei com minha família na santa paz que merecemos! Nem ligo pros bárbaros que estiverem em meu caminho, vermes!, quero o bem estar dos meus!
Mas lógico que não falaria isso. Tinha de manter a pose de bom moço que um dia já foi para a esposa. Tratou de dourar a pílula.
- Psicopata não. Sou um político em treinamento.
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
O Monsto
Certo dia, ela tira os óculos, leva as mãos ao rosto e o esfrega, como quem quisesse reunir forças para subir as escadarias da igreja da Penha. Quase titubeou nas palavras, mas estava diante de um mentiroso frio e calculista, um manipulador inescrupuloso e ambicioso. Como aquele homem mentia tanto com tanta naturalidade? Não viveria mais um segundo em tenebrosa companhia.
- Você é um psicopata!
O homem recebeu a notícia e era todo silêncio, sua boca, seus olhos, seu rosto, nada demonstrava abalo. Refletiu uns poucos segundos e respondeu, com toda a calma do mundo.
- Psicopata não. Sou um político em treinamento.
- Você é um psicopata!
O homem recebeu a notícia e era todo silêncio, sua boca, seus olhos, seu rosto, nada demonstrava abalo. Refletiu uns poucos segundos e respondeu, com toda a calma do mundo.
- Psicopata não. Sou um político em treinamento.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Trilogia da Libertação
ou Cansei dessa Vidinha Mais ou Menos ou Fome de Mundo.
Cansaço: Maldita Contra-Corrente!
Diz-me, sem máscara e com franqueza,
Quando foi a última vez em que sonhaste?
Quando foi que deixaste de viver
E passaste a levar a vida lutando
Contra os lugares em que ia,
Contra ti mesmo e
Contra a vida que se abria?
Medo: Suspiro Platonista
Bons mesmo eram aqueles dias
Quando uma só troca de olhares
Bastava pra fazer valer o dia.
Epifania: Empirismo Lifestyle
Segue tua vida sem rancor.
Segue.
E não te preocupas.
Fontes existem para serem bebidas
E frutos para serem devorados.
Não há sonho sem vida.
Pedro Prata - 27 de novembro de 2008
Cansaço: Maldita Contra-Corrente!
Diz-me, sem máscara e com franqueza,
Quando foi a última vez em que sonhaste?
Quando foi que deixaste de viver
E passaste a levar a vida lutando
Contra os lugares em que ia,
Contra ti mesmo e
Contra a vida que se abria?
Medo: Suspiro Platonista
Bons mesmo eram aqueles dias
Quando uma só troca de olhares
Bastava pra fazer valer o dia.
Epifania: Empirismo Lifestyle
Segue tua vida sem rancor.
Segue.
E não te preocupas.
Fontes existem para serem bebidas
E frutos para serem devorados.
Não há sonho sem vida.
Pedro Prata - 27 de novembro de 2008
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Ciranda em Vermelho
Ou Brincando de Gonzaguinha
Eu já tenho observado
Uma coisa muito triste
Esse povo é tão calado
Quando vê um dedo em riste
As pessoas já não falam
Ninguém entra em discussão
Já não sabem pr'onde andam
E só olham para o chão
Eu já tenho observado
Esse povo muito triste
Sendo sempre torturado
Pela luta que persiste
Uma luta que não acaba
Não vai nunca ter um fim
Só acaba essa diaba
Quando não disserem "sim"
E eu tenho observado
Com bastante indagação
Como pode ser guardado
Tão forte grito de NÃO
Dentro de tanto coração?
Tão linda rebelião
Dentro de tanto coração?
Tão sã indignação
Dentro de tanto coração?
Pedro Prata - 05 de julho de 2009
Eu já tenho observado
Uma coisa muito triste
Esse povo é tão calado
Quando vê um dedo em riste
As pessoas já não falam
Ninguém entra em discussão
Já não sabem pr'onde andam
E só olham para o chão
Eu já tenho observado
Esse povo muito triste
Sendo sempre torturado
Pela luta que persiste
Uma luta que não acaba
Não vai nunca ter um fim
Só acaba essa diaba
Quando não disserem "sim"
E eu tenho observado
Com bastante indagação
Como pode ser guardado
Tão forte grito de NÃO
Dentro de tanto coração?
Tão linda rebelião
Dentro de tanto coração?
Tão sã indignação
Dentro de tanto coração?
Pedro Prata - 05 de julho de 2009
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Fernando Sabino
"As coisas são como são e não como deviam ser - ou como gostaríamos que elas fossem. O que não tem solução, solucionado está - não adianta gastar boa vela com mau defunto.
Se quiser que alguma coisa mude, e não puder fazer nada, espere, que ela mudará por si.
Toda mudança é pra melhor: se mudou, é porque não deu certo.
Mais vale passar por um apertinho agora do que por um apertão o resto da vida.
Antes de entrar veja por onde vai sair.
Faça somente o que gosta. Para isso, passe a gostar do que faz.
Trate os outros como gostaria de ser tratado.
Não se deve aumentar a aflição dos aflitos.
A única forma de resolver um problema nosso é primeiro resolver o do outro"
Se quiser que alguma coisa mude, e não puder fazer nada, espere, que ela mudará por si.
Toda mudança é pra melhor: se mudou, é porque não deu certo.
Mais vale passar por um apertinho agora do que por um apertão o resto da vida.
Antes de entrar veja por onde vai sair.
Faça somente o que gosta. Para isso, passe a gostar do que faz.
Trate os outros como gostaria de ser tratado.
Não se deve aumentar a aflição dos aflitos.
A única forma de resolver um problema nosso é primeiro resolver o do outro"
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Trilogia a um amor que não foi...
ou "Grito aos tímidos desse país".
Sobre castanhas e sonhos
Ah, se eu pensasse com asa
Se o castanho do teus olhos
E as castanhas dos meus sonhos
Se encontrassem numa brasa...
- mas eles nem se vêem!
Nosso circo
Ah, cidade dos palhaços
Mundo grande e colorido
Só magia nesse espaço
Infinito,divertido
Fazer trança em seu cabelo
Quanto tempo para vê-lo!
A cor do nariz de palhaço
É a cor agora da minha cara
Haicai do P
Apesar dos penosos pesares
Proponho parar de parar
Podemos parear e pirar
Pedro Prata - Julho/2008
Após o vestibular, vem a arrumação. Folhas, apostilas, cadernos, folhas, provas, apostilas, folhas, livros, post-its, xerox, folhas, folhas, folhas e por aí vai. Reencontrando essas minhas saudosas papeladas, descobri que 2008 foi um ano muito produtivo para o meu eu lírico. Exemplo bacana é a Trilogia acima: encontrei a primeira no rodapé de um Simulado, a segunda num rodapé de uma prova de Português e a terceira ao lado de um dever de Geometria Analítica. Algumas folhas chegam ao ponto de terem mais manifestações artísticas do que exercícios feitos.

Vida mansa, à medida do possível
Coisas que acontecem, não me orgulho. Mas também não me arrependo. A arte é uma maneira de, enlouquecendo, não enlouquecer. Faria tudo de novo, só que dividindo melhor meu tempo.
...
Tá, talvez eu não faria tuudo de novo. Me arrependo muito só de uma coisa: ter dado tanta atenção para o meu lado tímido.
Sobre castanhas e sonhos
Ah, se eu pensasse com asa
Se o castanho do teus olhos
E as castanhas dos meus sonhos
Se encontrassem numa brasa...
- mas eles nem se vêem!
Nosso circo
Ah, cidade dos palhaços
Mundo grande e colorido
Só magia nesse espaço
Infinito,divertido
Fazer trança em seu cabelo
Quanto tempo para vê-lo!
A cor do nariz de palhaço
É a cor agora da minha cara
Haicai do P
Apesar dos penosos pesares
Proponho parar de parar
Podemos parear e pirar
Pedro Prata - Julho/2008
Após o vestibular, vem a arrumação. Folhas, apostilas, cadernos, folhas, provas, apostilas, folhas, livros, post-its, xerox, folhas, folhas, folhas e por aí vai. Reencontrando essas minhas saudosas papeladas, descobri que 2008 foi um ano muito produtivo para o meu eu lírico. Exemplo bacana é a Trilogia acima: encontrei a primeira no rodapé de um Simulado, a segunda num rodapé de uma prova de Português e a terceira ao lado de um dever de Geometria Analítica. Algumas folhas chegam ao ponto de terem mais manifestações artísticas do que exercícios feitos.
Vida mansa, à medida do possível
Coisas que acontecem, não me orgulho. Mas também não me arrependo. A arte é uma maneira de, enlouquecendo, não enlouquecer. Faria tudo de novo, só que dividindo melhor meu tempo.
...
Tá, talvez eu não faria tuudo de novo. Me arrependo muito só de uma coisa: ter dado tanta atenção para o meu lado tímido.
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